Maputo, Moçambique – Durante uma transmissão ao vivo nas redes sociais, o ex-candidato presidencial Venâncio Mondlane fez duras críticas à atuação da polícia moçambicana e do sistema judicial do país, denunciando o que classificou como assassinatos de civis por forças estatais.
Em tom enérgico, Mondlane afirmou que o povo moçambicano deve recorrer ao direito à legítima defesa diante da crescente violência e impunidade.
O político destacou o caso de dois jovens que, segundo ele, foram retirados à força de suas casas, despidos e posteriormente executados pela polícia.
Mondlane acusou a Procuradoria-Geral da República de ignorar denúncias de crimes cometidos pelas autoridades e afirmou que não há investigações em curso para responsabilizar os culpados.
“O sistema de justiça está conivente com os assassinos. Se a polícia nos mata, se os tribunais não nos defendem, se a procuradoria recebe denúncias e nada faz, então, moçambicanos, vamos nos defender!”, declarou durante a LIVE, que atraiu milhares de espectadores.
Mondlane também criticou a celebração do Dia dos Heróis Moçambicanos, comemorado a 3 de fevereiro, e reafirmou sua proposta de instituir o 18 de março como o Dia dos Verdadeiros Heróis Moçambicanos.
Segundo ele, essa seria a data legítima de homenagem ao povo que resiste à repressão estatal.
“Nós temos o direito de negar os heróis da FRELIMO e de declarar os nossos próprios heróis. Eu tenho o direito de dizer que Filipe Samuel Magaia não é meu herói, o meu herói é a Zagaia. Não tenho que ser morto por isso”, afirmou.
O ex-candidato presidencial ainda relatou que, durante as manifestações pacíficas de 18 de março, a polícia atacou civis, lançou gás lacrimogêneo e agrediu jovens que apenas celebravam a data em suas casas.
Ele denunciou o caso de um homem morto dentro de sua residência, cujo corpo teria sido arrastado até a via pública para dar a impressão de que ele participava de protestos.
Diante desse cenário, Mondlane reforçou o apelo para que a população moçambicana tome medidas para se proteger. “Se a justiça não nos protege, não podemos morrer como galinhas.
O direito à legítima defesa é o que nos resta. O povo deve se defender desses assassinatos, desses raptos e desses sequestros”, enfatizou.
As declarações de Venâncio Mondlane ocorrem em um momento de forte tensão política em Moçambique, com denúncias frequentes de repressão contra opositores e violência policial. O governo ainda não se pronunciou sobre as acusações feitas pelo político.
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